Este texto fez muito sucesso no meu primeiro blog e tinha de voltar aqui, pois acho o trabalho do Prof. Carlos Fett (Depto. de Nutrição da UFMT) um espetáculo didático sobre o que o refrigerante faz no seu corpo, a dependência que ele te causa e por que você deveria abolir ele da sua vida ao analisar detalhadamente fórmulas de refrigerantes. Fett teve de aprender química, entender tudo sobre componentes de refrigerantes, conservantes, sais, ácidos, cafeína, enlatamento, produção de label de lata, permissões, aprovações, órgãos regulatórios e muito mais aqui e, principalmente, no exterior, pois os ingredientes dos refrigerantes variam de país para país. Fett montou desde um mini-laboratório para análise de produto – equipado até para verificar quantidade de sólidos – e programou softwares para cálculo da fórmula com base nos volumes e tipo de envasamento (plástico ou alumínio), pois cada embalagem pode mudar os valores e o sabor dos ingredientes – por que na latinha é mais gostosa e mais gaseificada?

A ‘secreta’ fórmula da Coca-Cola é descoberta em apenas 18 segundos em qualquer espectrômetro-ótico e, na prática, até os cachorros a conhecem. Mas não tente fabricar igual, pois será necessário um bom dinheiro para brigar com a Coca-Cola na justiça. Já a fórmula da Pepsi tem uma diferença básica para a fórmula da Coca-Cola: a Pepsi tem menos sal e menos açúcar que a Coca-Cola, o suficiente para atrair o consumidor da Coca-Cola e evitar processo judicial da concorrente.

A imensa quantidade de sódio da lata de Coca-Cola (50mg) é que a faz diferente. Sem tanto sódio, você verá que a Coca-Cola fica semelhante a qualquer outro refrigerante, isto é, adocicado e enjoado. É exatamente o Cloreto de Sódio em exagero (não era very low sodium?) que refresca e ao mesmo tempo dá sede em dobro, pedindo outro refrigerante e não enjoando, pois o tal sal mata literalmente a sensibilidade ao doce – são 39 gramas de sacarose em uma lata de Coca-Cola, ou 11% de todo o conteúdo da lata, equivalente a 3 colheres de sopa cheias de açúcar (sacarose) por lata!

Resumo comentado da fórmula da Coca-Cola

(a) Concentrado de Açúcar queimado (leia-se, caramelo, para dar cor escura e gosto).
(b) Ácido ortofosfórico (azedinho).
(c) Sacarose (açúcar).
(d) High Fructose Corn Syrup (HFCS, açúcar líquido da frutose do milho).
(e) Extrato da folha da planta Coca (obtidos em plantações na África e na Índia).
(f) Aromatizantes naturais de outras plantas.
(g) Cafeína.
(h) Conservante, como o benzoato de sódio ou de potássio, dióxido de carbono (para fritar a língua quando você toma e, junto com o sal, dar uma sensação de refrigeração).

O uso de ácido ortofosfórico e não o ácido cítrico, como todos os outros refrigerantes usam, é para dar a sensação de dentes e boca limpa ao beber. Aliás, é proibido usar esse ácido em qualquer outro refrigerante e, se você for comprar ácido fosfórico, terá dificuldades em obter o produto e verá as milhares de recomendações de segurança e manuseio, pois queima o cristalino do olho, queima a pele e muito mais. Pois é, o ácido fosfórico frita tudo, literalmente, em quantidade pode até causar decapamento do esmalte dos dentes, enquanto o ácido cítrico ataca com muito menos violência. Em crianças, o risco é ainda maior pois o ácido ortofosfórico ‘chupa’ todo o cálcio do organismo, podendo causar osteoporose e comprometimento na formação dos ossos e dentes das crianças em idade de formação óssea (idade de 2 a 14 anos).

O extrato da coca e outras folhas quase não mudam o sabor, assim como ocorre com o refrigerante de guaraná – este último tem gosto amargo. Contudo, causam um importante efeito cosmético e mercadológico, pois legalmente tanto o extrato de coca quanto o de guaraná necessitam fazer parte da Coca-Cola e do Guaraná, respectivamente, pela questão de registro comercial, haja visto a inexpressiva mudança no gosto. O que dá o gosto no refrigerante são as quantidades de açúcar, açúcar queimado, sais, ácidos e conservantes de cada produto.

Visita à empresa de aromatizantes e essências contém corantes e não frutas

Fett também visitou uma fábrica de aromatizantes e essências para sucos: sais concentrados e essências o dia inteiro, caminhão atrás de caminhão saindo da fábrica, para fábricas de sorvete, refrigerantes, sucos, enlatados e, creia, até comida colorida e aromatizada. Ao procurar pelo depósito de concentrados das frutas, que deveria ser imenso e cheio de laranjas, abacaxis, morangos, maracujás, limões, uvas, cajus e outras frutas é, na prática, um reservatório imenso de corantes e mais de 50 tipos de componentes químicos. No refrigerante de laranja, o que menos tem é laranja; no refrigerante de morango, até os gominhos que ficam em suspensão são feitos de goma (uma liga química que envolve um semipolímero); no refrigerante de abacaxi, por sua vez, é um festival de ácidos e mais goma. E a essência do abacate? Usam até peróxido de hidrogênio (água oxigenada) para dar aquela sensação de arrasto espumoso no céu da boca ao comer, típico do abacate.

Refrigerantes Diet e Light são a mesma coisa?

O refrigerante diet ou light tem tanto ou mais lixo que o refrigerante ‘normal’, segundo Fett: “eu não uso nem para desentupir a pia, porque tenho pena da tubulação de pvc”. Os produtos adocicantes diet têm vida muito curta: o aspartame, por exemplo, após três semanas de molhado passa a ter gosto de pano velho sujo. Para evitar esse gosto, soma-se uma infinidade de outros químicos, um para esticar a vida do aspartame, outro para dar buffer (arredondar) o gosto do segundo químico, outro para neutralizar a cor dos dois químicos juntos que deixam o líquido turvo, outro para manter o terceiro químico em suspensão, senão o fundo do refrigerante fica escuro, outro para evitar cristalização do aspartame, outro para realçar, dar ‘edge’ no ácido cítrico ou fosfórico que acaba sofrendo pela influência dos 4 produtos químicos iniciais, e por aí vai!

É uma lista enorme de componentes químicos em uma só bebida, seja ela ‘normal’, diet ou light, algo que você nunca vai encontrar na água ou suco natural. Pense bem, sua vida precisa de tanto componente químico todos os dias?

O que acontece com o seu corpo nos primeiros 60 minutos após beber refrigerante?

(1) 10 minutos: dez colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto.
(2) 20 minutos: O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura, pois é muito para este momento em particular.
(3) 40 minutos: A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.
(4) 45 minutos: O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo (fisicamente, acredite, funciona como a heroína).
(5) 50 minutos: O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.
60 minutos.
(6) 60 minutos: As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina. Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam. Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritadiço. Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo.

Conclusão do Estudo

Depois de toda essa experiência com produção e estudo de refrigerantes, Fett afirma: “Sabe qual é o melhor refrigerante? Água filtrada, de preferência duplamente filtrada, laranja ou limão espremido e gelo! Nem açúcar, nem sal!” E completa: “Pense nisso antes de beber refrigerantes. Se não puder evitá-los, modere sua ingestão. Prefira sucos naturais. Seu corpo agradece!”

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Autor Thiago Rodrigo Alves Carneiro

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