Garoto, Lacta e Nestlé diminuem peso da caixa de bombons

Enquanto os preços das caixas sobem bem acima da inflação, caixas de 400g agora são apenas 300g nas marcas Nestlé e Garoto e Lacta agora trabalha com apenas 332g, considerando as maiores caixas de bombons sortidos de cada marca.

A republiqueta das bananas e dos chocolates constatou que há grandes empresas de alimentos que viraram amigas do povo: preocupadas com a saúde da população brasileira, Garoto, Lacta e Nestlé resolveram diminuir mais uma vez quantidade, a qualidade e a variedade de bombons sortidos em suas caixas de especialidades. Em janeiro de 2015, a Mondelez reduziu a caixa de bombons Lacta de 378g para 332g e Garoto e Nestlé reduziram o peso de 400g para 355g em 2014 e, agora, para apenas 300g, culminando com 25% a menos de peso em apenas dois anos. Além da redução de peso, nota-se uma clara redução de variedade e qualidade do sortimento de bombons em todas as marcas: os bombons nobres Ouro Branco, Sonho de Valsa, Lancy, Laka, Diamante Negro e Amandita na caixa da Lacta, Alpino, Galak e Suflair na seleção da Nestlé e Serenata de Amor, Batom e Mundy na caixa da Garoto quase desapareceram das caixas, dando lugar a novos lançamentos e bombons de amendoim, frutas ou desconhecidas invenções que ficam para o final da caixa.

O Código de Defesa do Consumidor não proíbe a prática de reduzir o peso ou o tamanho de um produto, mas ela deve ser avisada durante um período estabelecido de tempo na embalagem para informar o consumidor que, na prática, muitas vezes só se dá conta quando abre a caixa e vê menor quantidade e variedade de bombons que o habitual, conforme determina a Portaria 81/2002 do Ministério da Justiça. O problema nem chega a ser a redução de peso, mas a manutenção ou aumento do patamar de preços de todas as caixas: há cerca de dois anos, era fácil comprar caixas de especialidades a R$ 5 a R$ 6 e, hoje, o preço varia entre R$ 8 e R$ 10, isto é, um aumento mínimo de 33% considerando só o valor da caixa e superior a 50% considerando a relação de preço por quilo de chocolate.

Consumidores argumentam nas redes sociais que acabou a alegria de abrir uma caixa de bombons pois não encontram mais Alô Doçura, Nougat, Rum, Sedução, Torrone, Confeti, Diamante Negro, Laka, Shot, Mundy – esse só sobrou o Mousse -, ainda que alguns outros bombons para “compor a caixa” como Caribe, ItCoco e Surreal – este último com status de bombom-estrela da caixa – também tenham sumido. Atualmente, caixas de bombom tem muito preço e pouco glamour, status conquistado pelos fãs que cresceram abrindo ansiosamente uma lúdica e romântica caixa de bombons comprada ou dada de presente por alguém especial.

O cenário atual do mercado de chocolates nacional parece trazer um dilema para as grandes marcas: qual o público que irá comprar as suas caixas de especialidades e qual o perfil de consumo de chocolates em meio às preocupações crescentes com saúde e bem-estar? Em geral, as marcas se justificam com a mudança de perfil de consumo e com as ações adotadas pelos concorrentes ou, ainda, com a noção de preservar o preço do produto em um ambiente inflacionário. Por outro lado, notamos um movimento cambial de vai e vém e, quando o dólar baixou, chocolates importados de marcas como Lindt, Perugina e Godiva a Milka, Toblerone e KitKat – estes três últimos produzido no Brasil – eram acessíveis a diversas classes sociais; atualmente, com o dólar alto e os chocolates importados novamente caros, há uma nova necessidade de adequação destes produtos pelas fabricantes como uma necessidade de mercado.

A ideia para este artigo surgiu em uma recente promoção do Submarino com 10 caixas de bombons Garoto a R$ 59,90, um preço bem abaixo do mercado. Apesar da oferta tentadora, consumidores em grupos de promoções nas redes sociais criticaram o sortimento atual das marcas e poucos se declararam animados a comprar.

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Autor Thiago Rodrigo Alves Carneiro

Thiago Rodrigo Alves Carneiro, 36, é paulistano do Campo Belo, sócio-proprietário de A vida é feita de Desconto e professor graduado em Matemática e Estatística no IME-USP.

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Join the discussion 4 Comentários

  • Jonatan .st disse:

    Acho um absurdo isso de redução de peso , isso de preocupação com a saudade e blá blá blá ,e conversa fiada , o negocio deles e super-faturar nas costas do consumidor ,e para ajudar o desenvolvimento pela coisa,o povo compra mesmo sem se importar com peso preço etc…devemos nos manifestar e diminuir a compra também , alias já que o plano e ir diminuindo ,vamos diminuir também na compra e assim fica todos felizes. cara curti seu post ,abraço .

  • Rodrigo Cabello da Silva disse:

    Por que reduzir?

  • Alyson Rodrigo disse:

    Eu tô revoltado pois até 2009 vc sentia vontade de comprar caixas de chocolates hj vc não tem mais pois os bons chocolates sumiram principalmente da garoto tô revoltado #queremos de volta

  • Sergio disse:

    A empresa vai fazer o que puder para sobreviver no mercado ou lucrar o máximo possível e o que vai impedi-la de abusar do consumidor é a livre concorrência e o poder de escolha do consumidor. Querem culpar alguém, culpem essa porcaria de governo que não para de imprimir dinheiro, gerando mais e mais inflação e colocando tanto imposto em tudo, o que acaba com qualquer possibilidade de existir uma concorrência. Enquanto o povo não aprender isso, nada vai melhorar e vamos continuar a ser feitos de trouxas como consumidores.

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