Monotrilho em São Paulo (SP): vantagens e desvantagens

Por 15 de novembro de 2016Opinião

O Metrô decidiu implementar a extensão da Linha 2 e as Linhas 17 – Ouro e Linha 18 – Bronze em sistema de monotrilho. O sistema conta com menor custo e tempo de construção, mas também possui menor capacidade de transporte e traz muita poluição urbana.

Desapropriado pelo Monotrilho Ouro em março de 2013, decidi pesquisar as vantagens e desvantagens na adoção deste sistema, com vários casos de insucesso por todo o planeta. Apesar de teoricamente apresentar menor custo e menor tempo de construção, peca pela baixa demanda, excessiva poluição visual, baixa capacidade e até problema de segurança em caso de pane.

Para o pesquisador Adalberto Maluf Filho, do IRI-USP e autor de uma tese de mestrado sobre este modal de transporte, há diversos casos de insucesso do monotrilho pelo mundo como Dubai, Las Vegas e Joanesburgo. Para Maluf Filho, o ideal é usar o monotrilho em conexões como aeroportos e parques de diversão, mas não para a proposta do Governo do Estado de São Paulo. Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi a única a construir um monotrilho totalmente conforme planejado, planejando um investimento de US$ 3,4 bi e 1,2 milhão de usuários por dia mas, na prática, saiu por US$ 7,6 bi para transportar 66 mil pessoas diariamente.

Segundo o portal G1 em estudo mais recente sobre o monotrilho em São Paulo, além de vários anos de atraso, os monotrilhos Prata (linha 15 do Metrô na zona leste de São Paulo) e ouro (Linha 17 do Metrô na zona sul de São Paulo) tiveram acréscimo de mais de 80% no valor do quilômetro construído (R$ 354 mi na linha prata ou R$ 327 mi na linha ouro), valor dez vezes superior aos corredores de ônibus rápido (BRT) do Rio de Janeiro, além da redução significativa de estações (16km e 8 estações na linha prata e 11km e 10 estações na linha ouro). A razão entre custo e demanda se aproxima do Metrô e o tempo já é bastante semelhante à primeira construção do Metrô em São Paulo, entre 1968 e 1974.

Um resumo das vantagens e desvantagens do monotrilho pode ser encontrado abaixo.

Vantagens do Monotrilho

(a) Mais barato que o Metrô: Monotrilho (R$40 milhões/km), Metrô (R$160 milhões a R$380 milhões/km) e corredor de ônibus (R$5,5 milhões/km).
(b) Menor nível de ruído e de emissão de gases: O monotrilho gera 65 decibéis e utiliza energia elétrica. Já o ônibus causa mais de 95 decibéis de barulho. Trata-se de um sistema automático, sem condutor e não poluente, ao contrário do metrô e do ônibus.
(c) Utiliza peças pré-moldadas: A construção é mais rápida. Uma linha de monotrilho de 10 km pode ser erguida em até um ano e meio, enquanto o mesmo trecho de metrô demoraria seis anos.

Desvantagens do Monotrilho

(a) Sem integração: A integração é mais difícil com outros sistemas – o metrô é subterrâneo, ônibus são na altura da rua e o monotrilho é alto
(b) Segurança: Outra crítica é a segurança em caso de pane. Se houver uma emergência, a evacuação é difícil, especialmente se o trem estiver cheio; os usuários precisam andar em uma faixa de segurança estreita, protegidos apenas por uma grade. Há ainda o risco de veículos se chocarem contra as colunas de sustentação, comprometendo a estrutura
(c) Capacidade: O monotrilho paulistano terá uma capacidade de transporte muito menor do que as demais linhas do metrô. Cada trem será capaz de levar até 400 pessoas, quantidade que corresponde a cerca de um quinto das composições do metrô convencional
(d) Subsídio: O governo terá de gastar em subsídios para manter o sistema. Cobrando uma passagem equivalente à do metrô, o poder público teria de gastar R$600 milhões com subsídios
(e) Defasado: Se a demanda de passageiros aumentar, o monotrilho ficará defasado. Especialistas contrários ao modelo afirmam que é melhor comprar um produto mais caro que dure mais tempo e tenha uma capacidade maior, como o metrô.
(f) Desapropriações: Embora em menor número que o metrô subterrâneo, causa significativas desapropriações no entorno de estações.
(g) Poluição visual: A reclamação mais comum de associações de moradores é que as vigas atrapalham a paisagem do bairro, como se fosse um viaduto. 0 monotrilho vai passar perto de prédios – assim, quem está no trem poderia ver dentro dos apartamentos ou mesmo as áreas comuns dos edifícios, como piscinas e quadras. Houve até ação de entidade de moradores sobre a poluição visual, que restou infrutífera.

20161115-monotrilho_vantagens_desvantagens

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Autor Thiago Rodrigo Alves Carneiro

Thiago Rodrigo Alves Carneiro, 36, é paulistano do Campo Belo, sócio-proprietário de A vida é feita de Desconto e professor graduado em Matemática e Estatística no IME-USP.

Mais posts por Thiago Rodrigo Alves Carneiro

Deixe um comentário