Licenciatura em Matemática no IME-USP: uma visão e um relato

O objetivo desta página é passar uma visão geral (e impessoal) do curso de Licenciatura em Matemática na USP, o qual eu fiz no período de 1998 a 2002.

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Informações gerais do curso

O curso de Matemática/Licenciatura é de responsabilidade do Departamento de Matemática (MAT) do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP).

O objetivo deste curso é formar professores de Matemática para o Ensino Fundamental e Médio com um currículo amplo e flexível trazendo aos alunos conhecimento nas principais áreas da Matemática contemporânea (Lógica, Álgebra, Geometria e Análise) aliados a uma formação educacional de qualidade (com disciplinas sobre Didática, Psicologia e leis educacionais, além das metodologias de ensino de Matemática) e noções de outras áreas ligadas à Matemática, como Física, Estatística e Computação.

O ingresso no curso é dado pela FUVEST - Fundação Universitária para o Vestibular. Para quem possui uma graduação concluída, é possível também tentar uma vaga como aluno graduado se inscrevendo no início de cada ano no Serviço de Alunos de Graduação do IME e obtendo nota superior ou igual a 5,0 (cinco) em prova de Cálculo Diferencial e Integral.

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Breve histórico

A Universidade de São Paulo (USP) nasceu em 25 de janeiro de 1934, embora a Faculdade de Direito do Largo São Francisco existisse bem antes disso e tenha sido depois incorporada à USP. Junto com a USP foi criada a FFCL - Faculdade de Filofosia, Ciências e Letras, a qual começou a oferecer ainda em 1934 o primeiro curso de Matemática, o Bacharelado em Matemática, com duração de 3 anos.

Anos depois, com a inclusão da Faculdade de Educação pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (atual FFLCH), foi concebido o curso de Licenciatura em Matemática, com as mesmas disciplinas do Bacharelado e mais um ano de disciplinas pedagógicas.

O curso de Licenciatura começou a tomar o formato atual a partir da década de 1960, quando foram feitas mudanças coordenadas pela Profª. Elza Furtado Gomide (ver perfil, formato .pdf/Acrobat) - então chefe do Departamento de Matemática da FFCL - para diferenciar a licenciatura do bacharelado de maneira a adequar essas formações a seus reais propósitos.

O Instituto de Matemática e Estatística (IME) foi criado com a reforma universitária no início da década de 70, com a respectiva migração dos cursos de Matemática para esta nova unidade.

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A grade curricular

A grade curricular é composta, a partir de 2006, de 33 disciplinas obrigatórias (132 créditos/aula) e disciplinas optativas (32 créditos/aula) distribuídas ao longo de quatro ou cinco anos (conforme o período, diurno ou noturno, respectivamente). Lembrando que cada crédito/aula corresponde a 1h semanal de aula e, em geral, as disciplinas possuem 4hs de aula por semana (exceto os cálculos do primeiro ano com 6 créditos cada e Ótica e Gravitação com dois créditos).

Há disciplinas de diversas áreas, tais como:

  • Matemática: quatro cursos de Cálculo (I, II, III e IV), dois de Álgebra (I e II), três de Geometria (I, II e III), Geometria Analítica, Álgebra Linear, Introdução à Análise, Teoria dos Conjuntos; diversas optativas, das quais eu recomendo Seminários de Resolução de Problemas, Complementos de Matemática Elementar ou Análise de Livros Didáticos, História da Matemática II, Equações Diferenciais Ordinárias, Geometria Projetiva, Geometria Linear (ou Não Euclidiana) e, para quem quer seguir na área, Álgebra III, Álgebra Linear II, Geometria Diferencial, Análise Real e Introdução á Lógica.
  • Matemática Aplicada: Cálculo Numérico.
  • Estatística: dois cursos introdutórios de Estatística (I e II); as optativas recomendadas são, nessa ordem (obedece aos pré-requisitos), Estatística Descritiva, Probabilidade I, Inferência Estatística, Tecnologia de Amostragem, Planejamento de Experimentos, Análise Estatística e Análise de Regressão.
  • Computação: Introdução à Computação, Ensino de Matemática usando o Computador; as optativas recomendadas são, nessa ordem (obedece aos pré-requisitos), Princípios de Desenvolvimento de Algoritmos e Laboratório de Computação.
  • Física: Laboratório de Física, dois cursos de Mecânica, Eletricidade I, Ótica, Gravitação e Termodinâmica I; embora eu não goste de Física, mas para quem gosta e quer obter a Licenciatura em Física também eu recomendo como optativas Termodinâmica II, Eletricidade II, Mecânica dos Corpos Rígidos e Fluídos e cursos de laboratório extras (não se esqueça de fazer Metodologia do Ensino de Física I e II para obter o diploma de licenciado em Física caso seja do seu interesse).
  • Educação / Pedagogia: Didática, Psicologia da Educação, Política e Organização da Educação Básica no Brasil, Metodologia do Ensino de Matemática I e II (incluindo 300 horas de estágio em escolas, preferencialmente da rede pública); as optativas recomendadas são Matemática II e Introdução aos Estudos da Educação.

Mudanças na grade curricular em 2001 e 2006

Diversas mudanças foram feitas na grade curricular em 2001 e em 2006:

  • (2001) as optativas passaram de 36 para 32 créditos; ou seja, de 9 para 8 disciplinas de 4hs/semana, sendo uma da Faculdade de Educação;
  • (2001) a transformação de disciplinas anuais (Cálculo e Estatística) em semestrais;
  • (2001) o replanejamento da grade curricular, com distribuição das físicas ao longo dos três primeiros anos (ao invés de concluir as disciplinas da Física nos dois primeiros anos);
  • (2001) a disciplina Laboratório de Matemática passa a ser ministrada em duas etapas, com créditos em cada semestre do primeiro ano ao invés de quatro créditos no primeiro semestre;
  • (2006) criação de uma nova disciplina obrigatória chamada Matemática na Educação Básica, com o objetivo de refletir sobre a função da matemática na vida do estudante da educação básica e mostrar as ligações entre o que é visto na faculdade e o que deve ser dado pelo futuro professor na educação básica;
  • (2006) nova reordenação das disciplinas do Instituto de Física;
  • (2006) aproximação efetiva da grade curricular do primeiro ano com a grade curricular dos bacharelados;
  • (2006) concentração de matérias nos dois primeiros anos, com inéditos 24 créditos/semestre no segundo ano, para sobrar tempo para os estágios de Metodologia do Ensino de Matemática I e II, Didática, Psicologia da Educação e POEB no último ano.

As mudanças em 2001 e 2006 trouxeram melhoras significativas para o curso, pois:

  • as matérias da Física agora abordam conceitos já vistos pelos alunos (antes, os conceitos de Cálculo e Álgebra Linear, tais como integrais no primeiro semestre em Fundamentos de Mecânica ou integrais duplas e triplas no terceiro semestre em Eletricidade, eram usados antes mesmo de serem aprendidos);
  • havia muita matéria da Física nos dois primeiros anos, o que levava muitos alunos à desistência (eu particularmente adorei ter me livrado das físicas no final do segundo ano);
  • as disciplinas mais difíceis - tais como Àlgebra I e II, Geometria I e III, Análise Real, Teoria dos Conjuntos e Eletricidade - agora são cursadas pausadamente e, para quem tem dificuldade em Introdução à Computação, ela agora é oferecida mais para o meio do curso contando com um aluno mais maduro;

Ainda há algumas inconsistências, como oferecer Mecânica antes de Fundamentos de Mecânica. Mas, ainda assim, houveram evoluções importantes que tornaram o curso mais completo e atraente, além de um maior equilíbrio entre formação matemática e pedagógica.

As grades atuais da Licenciatura em Matemática para os períodos diurno e noturno estão disponíveis no Jupiter Web, o sistema de gerenciamento de informação dos cursos de graduação da USP. Confira nos links abaixo:

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Diferenças entre a Licenciatura e o Bacharelado

Em princípio, a Licenciatura se destina a formar professores de Matemática para o Ensino Fundamental e Médio e o Bacharelado é mais indicado para quem pretende seguir estudos de pós-graduação e pesquisa acadêmica.

Porém, pela alta qualidade do corpo docente e do elenco de disciplinas da graduação em Licenciatura em Matemática da USP, diversos licenciados estão cursando a pós-graduação na USP ou em outras instituições renomadas nas áreas de Matemática, Estatística, Computação e Finanças, etc.

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Perspectivas para o mercado de trabalho

Até pouco tempo, muitos achavam que um licenciado em qualquer ciência só tinha como destino as escolas da educação básica ou, com um pouco de sorte, alguma faculdade menos renomada. Porém, esta é apenas uma das diversas perspectivas do licenciado em Matemática e, certamente, há outras perspectivas bem mais atraentes no que concerne à remuneração e/ou motivação para aqueles que não vêem com os melhores olhos a perspectiva única de dar aulas na educação básica - sobretudo quando lembramos o caos da educação básica pública.

Atualmente há diversos formandos trabalhando com Estatística, Informática e Computação, Matemática Financeira e Finanças, Atuária e Gerenciamento de Riscos, Comunicação, Biologia e Saúde, etc, em posições de destaques tanto em instituições públicas quanto em empresas privadas, além da docência em ensino superior. Um licenciado em matemática é uma pessoa com facilidade de raciocínio, cálculos, otimização e resolução de problemas novos envolvendo estes elementos e, desta maneira, muitos problemas que envolvem programação computacional, mapeamento e inferência estatística a partir de amostras, conhecimento e gerenciamento de risco em crédito ou em seguros, planejamento e análise de estudos prospectivos e retrospectivos em saúde e prevenção de doenças, 'tradução' de cálculos e procedimentos matemáticos para não-matemáticos, etc.

Em resumo: o seu sucesso depende do seu potencial, da sua vontade de aprender durante e após a sua formação e da sua capacidade de interagir com áreas que dependem da Matemática e de raciocínio.

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É possível um aluno graduado fazer a Licenciatura em Matemática sem prestar vestibular?

Sobram vagas? - A USP oferece anualmente 150 vagas para o curso de Licenciatura em Matemática no IME. A procura no vestibular pelo curso aumentou nos últimos anos mas, ainda assim, há muitas desistências (possivelmente mais de 25% dos ingressantes) durante o curso. Estas desistências se devem a exigência de um conhecimento mínimo de matemática básica ausente em muitos ingressantes e a diferença entre o que o aluno espera do curso (matemática aplicada) e o que ele vê no curso (matemática abstrata), gerando decepção e frustração.

O que é feito com as vagas dos desistentes? - O primeiro passo para preencher uma vaga em aberto é a transferência interna, isto é, alunos de graduação de outros cursos na USP que mudam para a Licenciatura em Matemática. Em seguida há a transferência externa, onde alunos de graduação de outras instituições tentam obter uma das vagas remanescentes na Licenciatura em Matemática; esta seleção é feita em duas etapas, uma a cargo da FUVEST Transferência (inscrição em maio/junho e provas de português e conhecimentos específicos em julho/agosto) e a outra pela Comissão de Graduação do IME (em 2006 sobraram 63 vagas). Finalmente, as vagas que ainda não foram preenchidas são disponibilizadas a alunos graduados (em 2007, sobraram 55 vagas) com inscrições no início de janeiro de cada ano no Serviço de Alunos de Graduação do IME; esta seleção é feita através de uma prova de Cálculo Diferencial e Integral I no final de fevereiro de cada ano e, para ser aprovado, é necessário tirar nota maior ou igual a 5,0 (cinco).

Como eu me preparo para a FUVEST Transferência ou para a prova de aluno graduado? - Os conhecimentos exigidos nessas provas referem-se ao primeiro ano de graduação. Livros de cálculo e do ensino médio podem lhe ajudar. Eu já preparei alguns alunos com aulas particulares através do AulasdeMatemática.com.br.

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Links para saber mais ...

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