Como foi a minha graduação em Bacharelado em Estatística – USP

O objetivo desta página é passar uma visão geral (e prioritariamente impessoal) do curso de Bacharelado em Matemática na USP, o qual eu fiz no período de 2005 a 2012 após ter cursado a Licenciatura em Matemática também na USP e ingressado neste bacharelado como aluno graduado.

Informações Gerais

O curso de graduação em Estatística/Licenciatura é de responsabilidade do Departamento de Estatística (MAE) do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP) e tem duração ideal de 4 (quatro) anos com aulas pela manhã e, em alguns semestres, também a tarde.

objetivo deste curso é formar profissionais que atuam com o planejamento e a execução de atividades de coleta, organização e análise de conjuntos de dados ou informações – resumidamente denominada análise estatística de dados – nos diversos setores de atuação em que há a necessidade de obter conclusões com validade científica a partir de extrapolações de medidas de interesse obtidas a partir de uma amostra para uma população. Ao estatístico é imputada a confiança na escolha de modelos estatísticos adequados que consigam responder às perguntas que a área de atuação requer, geralmente usando recursos e programação computacionais e cálculos matemáticos, o que traz a necessidade de sólida formação nestas duas áreas. Para atuar como estatístico é necessário estar registrado e adimplente junto ao Conselho Regional de Estatística (CONRE) da sua região, conforme informações do Conselho Federal de Estatística (CONFE).

ingresso no curso é dado pela FUVEST – Fundação Universitária para o Vestibular. Para quem possui uma graduação concluída, é possível também tentar uma vaga como aluno graduado se inscrevendo no início de cada ano no Serviço de Alunos de Graduação do IME e obtendo nota superior ou igual a 5,0 (cinco) em prova de Estatística Básica (notadamente o conteúdo de Estatística I e II dos cursos de graduação em Exatas, Economia ou Administração da USP), embora nem sempre hajam vagas disponíveis para esta modalidade. Transferências internas de outras unidades ou do próprio IME também são aceitas, desde que preencham os requisitos legais.

Breve histórico

A Universidade de São Paulo (USP) nasceu em 25 de janeiro de 1934, embora a Faculdade de Direito do Largo São Francisco existisse bem antes disso e tenha sido depois incorporada à USP. Junto com a USP foi criada a FFCL – Faculdade de Filofosia, Ciências e Letras, a qual começou a oferecer ainda em 1934 o primeiro curso de Matemática, o Bacharelado em Matemática, com duração de 3 anos.

Anos depois, com a inclusão da Faculdade de Educação pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (atual FFLCH), foi concebido o curso de Licenciatura em Matemática, com as mesmas disciplinas do Bacharelado e mais um ano de disciplinas pedagógicas.

O Instituto de Matemática e Estatística (IME) foi criado com a reforma universitária no início da década de 70, com a respectiva migração dos cursos de Matemática para esta nova unidade e o curso de Bacharelado em Estatística foi instituído em 1972, com a primeira turma concluindo o curso em 1975. Atualmente oferece 40 (quarenta) vagas anuais para novos alunos.

A grade curricular

A grade curricular é composta, a partir de 2012, de 37 disciplinas obrigatórias (165 créditos/aula) e disciplinas optativas (32 créditos/aula) distribuídas ao longo de quatro anos na grade ideal. Lembrando que cada crédito/aula corresponde a 50min semanais de aula e, em geral, as disciplinas possuem 4hs de aula por semana (exceto Cálculo I, II e III, Probabilidade I, Inferência Estatística e Análise Estatística, Estatística Aplicada I e II com seis créditos cada). O curso chega a ser desumano em alguns semestres como, por exemplo, 30 créditos/aula no sexto semestre ideal e aulas em dois períodos em todos os semestres e, desde já, eu recomendo fortemente pensar na possibilidade de planejar a execução do curso em cinco anos para melhor aproveitamento do conteúdo – eu estudei com o currículo anterior a 2012, um pouco mais light neste sentido de créditos em excesso durante um semestre ideal. Há disciplinas de diversas áreas, tais como:

  • Matemática: quatro cursos de Cálculo (I, II, III e IV), dois de Álgebra Linear (I e II), Geometria Analítica, Álgebra Linear, ; diversas optativas, das quais eu recomendo Seminários de Resolução de Problemas, Complementos de Matemática Elementar ou Análise de Livros Didáticos, História da Matemática II, Equações Diferenciais Ordinárias, Geometria Projetiva, Geometria Linear (ou Não Euclidiana) e, para quem quer seguir na área, Álgebra III, Álgebra Linear II, Geometria Diferencial, Análise Real e Introdução á Lógica.
  • Matemática Aplicada: Cálculo Numérico e Métodos Computacionais.
  • Estatística: dois cursos introdutórios de Estatística (I e II); cursos de formação teórica em Probabilidade (I e II), Inferência Estatística (I) e Amostragem; cursos de formação ‘prática’ em modelagem estatística, incluindo Análise Estatística (Paramétrica e Não-Paramétrica), Análise de Regressão, Planejamento de Experimentos, Análise Multivariada, Séries Temporais, Análise Categorizada de Dados, Análise de Sobrevivência, Analise Bayesiana, Tópicos de Regressão, Data Mining; duas disciplinas de análise estatística aplicada a projetos reais. Fora as diversas optativas dentre as quais Biometria, Sociometria, Psicometria, etc.
  • Computação: Introdução à Computação, Princípios de Desenvolvimento de Algoritmos, Laboratório de Computação e, após 2012, Sistemas de Bancos de Dados em Programas Estatísticos.
  • Física: somente Introdução às Medidas em Física após 2012; antes haviam disciplinas de Mecânica, por exemplo.
  • Optativas: disciplinas optativas das mais diversas áreas da USP são aceitas como optativa livre e disciplinas do IME são aceitas como optativa eletiva. Como este é sempre um tormento na vida de muitos alunos, consultar a Comissão de Graduação é sempre uma ótima ideia em caso de dúvidas.

Mudanças na grade curricular em 2012

Eu cursei o Bacharelado em Estatística com a grade curricular anterior a 2012, a qual era significativamente defasada e desalinhada em relação às necessidades atuais de mercado de um estatístico. Disciplinas como Análise de Sobrevivência, Data Mining, Analise Bayesiana e Tópicos de Regressão que hoje são comumente exigidas até em trabalhos finais de curso do Centro de Estatística Aplicada (CEA) não eram obrigatórias até então e eu não as cursei como optativas, causando uma significativa lacuna na formação. As mudanças aliviaram o conteúdo de Física, ampliaram o espectro de técnicas estatísticas e valorizaram o viés computacional que é, na prática diária, uma habilidade indispensável a aplicação das técnicas com o embasamento teórico que o curso traz, principalmente no segundo ano.

O curso aumentou a carga horária e ficou relativamente desumano para quem quer uma formação de qualidade em 4 (quatro) anos. O nível de trabalho que as listas de exercícios demandam – mesmo em grupos com bom revezamento de tarefas que muitas vezes envolvem um troca-troca de exercícios das listas inimaginável envolvendo toda a sala – é incoerente com semestres em que o aluno chega a ter 30 horas/aula semanais, comprometendo a formação de quem realmente quer tentar aprender uma boa parcela de todas as disciplinas. A justificativa histórica para o aumento de carga sem aumentar o número de semestres é evitar que o aluno trabalhe durante o curso, algo que tira o foco da graduação e normalmente atrapalha bastante a formação sem que a experiência de fora seja efetivamente compensatória.

Perspectivas para o mercado de trabalho

 

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Autor Thiago Rodrigo Alves Carneiro

Thiago Rodrigo Alves Carneiro, 36, é paulistano do Campo Belo, sócio-proprietário de A vida é feita de Desconto e professor graduado em Matemática e Estatística no IME-USP.

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